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Testemunho - João Carlos

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Testemunhos
Escrito por João Carlos   


Chamo-me João Carlos Azevedo,e nasci em Lisboa, sendo filho único de uma família católica romana, embora,até ao início da minha juventude, os meus pais, Carolina e Pedro, não fossem regularmente “praticantes”, isto é, iam à igreja, como se costuma dizer, “só lá de vez em quando”. Desde a infância, a minha educação foi sendo marcada pelos valores cristãos, valores esses que os meus pais tinham recebido dos meus avós e da igreja, que eles frequentaram com mais regularidade até ao período do seu casamento.


Aos 6 anos de idade, entrei para a catequese da minha paróquia de residência, onde, até aos 14 anos, fui aprendendo a conhecer a Deus e o Seu grande amor pela Humanidade. Não esqueço as histórias bíblicas que fui conhecendo em cada lição de catequese e, principalmente a que mais me marcou, talvez das primeiras que me foi ensinada, a da Chamada de Abraão e das promessas que Deus lhe fez (Génesis, cap.12).

Sentia-me honrado e, porque não dizer, tinha até um “santo”orgulho por pertencer a essa descendência de Abraão, a quem comecei a chamar de “Pai dos crentes”, embora só mais tarde, durante a minha adolescência pude perceber verdadeiramente o que é que isso significava.


João CarlosMas, foi exactamente na minha adolescência, por volta dos meus 15 ou 16 anos, que, depois de ler na íntegra o Evangelho Segundo S. João – até aí nunca tinha lido um livro da Bíblia do inicio até ao fim, mas apenas episódios soltos – que se apossou de mim uma alegria tão grande, e uma autêntica gratidão por tudo aquilo que Jesus tinha feito por mim, que, principalmente quando me encontrava sozinho em casa, não me cansava de cantar para Deus e de o louvar.


Soube, mais tarde, que a isso se chama na Escritura o “Novo Nascimento”, isto é, o momento em que alguém, pela primeira vez, recebe no seu coração, pela fé, a Jesus como seu Senhor e Salvador e, a partir daí, se torna um Filho de Deus (cf. João 1: 12; João 3: 3-7).


A partir dessa altura, desejei entregar a minha vida inteiramente a Deus para o servir com total disponibilidade como sacerdote católico.


Entretanto, na paróquia, sendo membro de um grupo ministerial de jovens, o Grupo de Acólitos, fui crescendo na fé e no desejo cada vez mais intenso de conhecer a Deus, de o amar e servir, não só a Ele directamente, mas a também a Ele na pessoa dos outros.


Até que, passados alguns anos, e depois de terminar o 12º ano, fiz a admissão ao Curso de Licenciatura em Teologia da Universidade Católica Portuguesa e ao Seminário Patriarcal de S. Paulo, nos quais ingressei em 1993.


Na “Católica”, onde ia-mos diariamente, estudávamos os conteúdos mais académicos da formação teológica, e, no Seminário, onde residíamos, fazíamos a formação espiritual e pastoral, envolvidos por uma intensa vida comunitária.


Ao longo de 6 anos, pretendia-se formar homens de Deus, pastores que tivessem o coração de Cristo-Pastor.


Lembro que o versículo bíblico que mais ecoou em mim durante o 1º ano, foi aquele que diz: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com sabedoria e prudência” (Jeremias 3:15).


Tendo entrado no Seminário com o desejo de vir a ser Sacerdote e, tendo toda a minha vida orientada para esse objectivo, nunca pensei que nele só viria a permanecer durante 3 anos, convencido ou não, por mim próprio ou pela Equipa Formadora, que afinal não tinha “vocação para o sacerdócio”, como comummente se dizia.


Continuei, no entanto, na Faculdade de Teologia da “Católica” por mais um ano, mas já só como leigo, isto é, não como candidato às ordens sacras, não tendo, contudo, terminado a licenciatura.


Porém, só 10 anos mais tarde, percebi que tudo isso teve um sentido, nada tendo sido em vão, e que Deus tinha destinado para mim outro percurso bem diferente.


Glória a Deus! Como são maravilhosos os seus desígnios!


Abandonando, pois, definitivamente o desejo de vir a ser Padre, mas não o de o servir a Deus e à Sua Igreja, estive nos anos seguintes comprometido com vários ministérios de carácter litúrgico, como o de Organista, Acólito, Ministro Extraordinário da Comunhão, e Ministro Extraordinário das Exéquias.


Em 2001, terminei o Curso de Canto no Conservatório Nacional, tendo, nesse mesmo ano, começado a leccionar a disciplina de Educação Musical no Ensino Básico, profissão que exerço até ao presente, só tendo interrompido durante 3 anos por uma carreira exclusivamente artística no Teatro Nacional de S. Carlos.


Até que, no ano de 2004, um amigo e ex-colega de curso do Conservatório, o Pedro Correia, actualmente membro do CCVA do Entroncamento, me começou a falar como Deus tinha mudado a sua vida.


Eu conhecia o Pedro há vários anos. Ele, membro de uma família tradicionalmente católica, fez-me por isso estranhar um pouco o estilo do seu discurso. Falava-me de assuntos da Bíblia, que eu já conhecia, pois afinal eu era um cristão firme e convicto, e tinha até o orgulho de ter feito os estudos superiores de Teologia, estando, por isso, cheio de certezas…inabaláveis, pensava eu.


Mas ele falava-me das coisas do meu Deus como se fossem inteiramente novas, e falava-as com uma convicção, autoridade, e, ao mesmo tempo, uma radicalidade, que realmente estranhei, se calhar por não estar muito habituado a tão grande convicção e conhecimento das Escrituras por parte da generalidade dos leigos católicos romanos.


Só depois de passado algum tempo, e depois de alguma insistência minha em saber a razão de tão grande mudança operada nele, o Pedro disse-me que tinha deixado o Catolicismo Romano, e que agora era cristão Evangélico.


A partir daí, como fruto das nossas conversas, e ao longo de cerca de ano e meio, resolvi voltar estudar muitas das coisas que no passado tinha aprendido em Teologia, pondo em confronto grande parte do “edifício” doutrinal católico-romano com as Sagradas Escrituras, da mesma forma que o Povo de Bereia, na Grécia, “examinava todos os dias as Escrituras para ver se as coisas (isto é, aquilo que Paulo e Silas pregavam) eram, de facto, assim” (Actos 17:11).


E, se por um lado, a minha fé em Jesus se ia fortalecendo, por outro lado, todo o meu “edifício” religioso, que, fui chegando à conclusão, era absolutamente acessório e desnecessário ao meu relacionamento com Deus, ia ruindo lentamente e se transformava em escombros e poeira no ar.


Os rituais e liturgias, os dogmas oriundos de uma Sagrada Tradição (suposta autoridade divina extra-bíblica), o esforço para ser salvo e agradar a Deus pelos meus próprios méritos, o culto a Maria e aos santos, enfim, todo esse universo doutrinal religioso que parecia tão inabalavelmente sólido e bem fundamentado racionalmente na minha inteligência, estava inacreditavelmente a ruir.


Agora, apenas uma coisa me restava, a fé em Jesus como o Senhor e Salvador único da minha vida, e a Sua Palavra, como guia seguro para os meus passos (cf. Salmo 119: 105).


Que liberdade!


Dia 23 de Janeiro de 2006, orei, mais ou menos desta forma: “Pai, acabou! Não quero mais a religião e os seus preceitos na minha vida. Só quero Jesus!”


Alguns dias depois, fui recebido no CCVA de Alvalade, iniciando um processo de integração numa nova família de irmãos em Cristo que me acolheu de uma forma que, verdadeiramente, ficou gravada no meu coração.


Quase tudo foi novo para mim, à excepção da fé que trazia. Fé essa que, onde houver verdadeiramente irmãos em Cristo, homens e mulheres com a marca do Ressuscitado, me faz sentir em casa, na Casa do meu Deus. E isso, pude sentir no CCVA desde o primeiro dia.


Mas creio que, talvez a grande mudança que aconteceu em mim desde que deixei a religião, tenha sido a de ter destronado dentro de mim uma fé em Deus apoiada na lógica da razão, para passar a deixar que o trono de Deus fosse edificado no meu coração, onde a minha razão deixou de ter a pretensão de tocar Deus pelos seus próprios meios e méritos, mas é conduzida pelo Espírito Santo a abrir-se à revelação de um Deus amoroso sempre novo que está muito para além do meu entendimento, que me surpreende a cada tempo e me faz cair de joelhos.


Que a todos os que lerem o meu testemunho, possa Deus grandemente abençoar, enchendo da alegria da salvação pela fé no único Senhor e Salvador, Jesus (Actos 4: 12).


“Uma só coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo.” (Salmo 27: 4)

 

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